
Um herbário reúne conjuntos de espécimes vegetais, secos e prensados, fixos em folhas de cartolina, devidamente identificados, catalogados e dispostos segundo a classificação botânica. É uma colecção dinâmica de plantas secas de onde se está constantemente a extrair, utilizar e adicionar informação sobre cada uma das espécies conhecidas, e sobre novas espécies vegetais.
Um herbário é considerado o detentor das informações sobre a flora de um país ou região, a que foi extinta e a actual, representando um recurso de enorme valor, já que cada planta tem uma importância fundamental nos organismos vivos, nos diferentes ecossistemas.
Uma das principais vantagens de um herbário é possibilitar o armazenamento de grandes quantidades de espécimes, ocupando um espaço relativamente pequeno, facultando o estudo de espécimes provenientes de diferentes locais e de distintos ecossistemas, conservando-se durante séculos.
Os herbários são os depositários do material resultante das investigações que documentam a riqueza florística de um país ou de uma determinada região.
Os Herbários constituem assim, uma base de dados o mais completa possível sobre a diversidade e vegetação de uma dada região. São uma fonte primária para o desenvolvimento de muitos estudos fitogeográficos, monográficos e ecológicos, tendo papel vital nos estudos de biodiversidade, programas de recuperação ambiental, planeamento de desenvolvimento sustentável dos recursos naturais, estudos taxonómicos, fenológicos, evolutivos, entre outros .
Objectivos de um Herbário
I.Albergar e conservar material vegetal de referência, de forma ordenada e indexada.
II.Possibilitar uma identificação rápida de plantas colhidas, por comparação com os exemplares existentes na colecção.
III.Constituir uma referência sobre os nomes correctos de cada espécie. Para tal é necessário uma actualização constante através do cruzamento com trabalhos de revisão taxonómica e nomenclatural.
IV.Construir uma base de dados o mais completa possível sobre a diversidade vegetal de uma dada região. Valorização das colecções com espécimes de grande qualidade científica, com registo da sua localização o mais exacta possível, dados ecológicos, altitude, nome vulgar na região de colheita e outros dados pertinentes.
V.Intercâmbio com outros Herbários, nacionais e internacionais, disponibilizando os dados de cada exemplar de herbário para consulta ou empréstimo.
Elaboração de um Herbário
Construir um Herbário, mesmo para os iniciados nesta área, não é tarefa difícil, contudo para se rentabilizar ao máximo a sua utilização, devem-se cumprir certas regras.
A elaboração de um Herbário, implica inicialmente a herborização das plantas, seguida da sua organização.
Herborização
A herborização implica inicialmente a colheita das espécies vegetais e sua preparação, seguida da secagem do material colhido. Para tal, é indispensável ter conhecimento do material e metodologia mais adequado.
Colheita
A época de colheita está relacionada com as condições do meio onde as plantas vivem, isto é, com o tipo de habitats. As plantas vasculares devem ser colhidas preferencialmente durante a Primavera e Verão, podendo também estender-se até ao Outono. Contudo, deve-se colher durante todo o ano, porque o período vegetativo e a época em que as plantas apresentam características de identificação não são iguais para todas, colhendo os exemplares em diferentes estados de desenvolvimento.
Ao pretender estudar a flora de uma dada região, é aconselhável visitar os diferentes tipos de habitats, de modo a obter as diferentes espécies que os compõem. Dentro dos vários locais a visitar, temos, por exemplo: dunas; matos e bosques; lugares húmidos; terrenos incultos, em pousio; campos cultivados; rios e ribeiras; charcos, lagos e lagoas; florestas; pinhais; fendas de rochas e muros; taludes e bermas dos caminhos, etc.
Material de Campo
A colheita consiste em retirar do local pré-estabelecido, os exemplares vegetais. Existem alguns tipos de utensílios próprios, consoante o tipo de plantas a colher, o local a amostrar e seu acesso, tipo de solo, etc. De um modo geral, o material mais utilizado engloba:
· Sacho
· Faca, canivete forte ou tesoura de poda
· Caixa de Herborização ou sacos plásticos
· Etiquetas de numeração
· Livro de campo
· Outros utensílios: Guias de campo, máquina fotográfica, altímetro (medição da altura das plantas), lupas de bolso, pinças, mapas da região/local.
Sacho
Acima de tudo devem ser sólidos, leves e práticos. Normalmente é constituído por um cabo de comprimento aproximadamente 90 cm, onde, numa das extremidades existe uma lâmina estreita e comprida, que se continua por um gancho forte levemente arqueado. Este gancho é muito útil para retirar bolbos e rizomas profundos. Sendo também de grande utilidade para baixar os ramos das árvores e na colheita de plantas aquáticas.
Faca, canivete forte ou tesoura de poda
As caixas de herborização, normalmente, são de forma cilíndrica e de metal, com uma tampa lateral rectangular, dobradiças na parte inferior e fecho de cavilha na superior, de cor verde, para não aquecerem muito com os raios solares. O tamanho é variável, contudo é mais ou menos da largura das folhas de herbário. É portadora de uma correia de modo a que seja transportada ao ombro.
Conservam em bom estado os espécimes colhidos, durante bastante tempo, devido à humidade que se cria na atmosfera da caixa. Contudo, uma permanência prolongada pode provocar o enegrecimento das plantas.
As caixas de herborização podem ser substituídas por sacos plásticos, desde que a colheita seja rápida.
Etiquetas de Numeração
Quando se colhe uma planta, antes de a colocar na caixa de herborização, deve-se colocar uma etiqueta de cartolina com um fio, onde consta o número de colheita. Este deve ser repetido para todas as plantas da mesma espécie colhidas no mesmo local, devendo-se ter o cuidado para não repetir números para espécies diferentes ou para espécies iguais mas colhidas em locais diferentes.
Livro de Campo
Destinados a registar dados colhidos no campo, referente a cada planta, sob o seu número de colheita. Nele devem-se referir todos os dados disponíveis, tais como:
· Data;
· Local de colheita (distrito, concelho, freguesia ou outros pontos de referência);
· Número de colheita (o mesmo que consta na etiqueta);
· Nome do colector (pessoa que colheu a planta);
· Nome vulgar da planta na região (se possível);
· Nome científico ( se for conhecido);
· Tipo de habitat e de solo;
· Hábito (se uma planta é herbácea, arbustiva ou arbórea, se é anual ou vivaz);
· entre outros parâmetros que sejam considerados importantes para a classificação da planta e que possam desaparecer durante o processo de secagem, como sejam a cor das flores, dos frutos e das folhas.
Preparação
A preparação do material colhido destinado a herbário, deve ser feita o mais cedo possível. Se não for possível, devem-se colocar as plantas num local fresco, por exemplo no frigorífico.
Feito o registo e numerados os exemplares, procede-se à colocação das espécies em pastas de compressão ou de secagem. Para isso, os exemplares são introduzidos nas folhas de secagem o mais direitos e esticados possível. O papel de secagem deve ser bastante poroso e ter grande poder de absorção, de modo que possa ser facilmente embebido pela humidade das plantas, assegurando a sua rápida secagem. O mais utilizado é o papel passento, mas na sua falta, pode-se utilizar papel pardo ou mesmo jornais. No caso das plantas com espinhos, devem-se utilizar cartões fortes, para não danificarem as outras plantas aquando da compressão.
As pastas de compressão ou secagem, destinam-se a preparar e secar as plantas depois de transportadas das caixas. Devem ter as dimensões do papel de secagem e ser constituídas por duas grades de madeira.
Depois do material ser introduzido entre as folhas, as grades são apertadas com correias ou cordéis mantendo o material sob pressão constante e firme, de modo a secar as plantas.
É aconselhável levar uma destas pastas para o campo, providas de papel para as plantas mais delicadas, como as de flores caducas ou as plantas aquáticas.
Secagem
Este processo deve-se iniciar o mais rápido possível a seguir às colheitas. As plantas devem ser colocadas no papel de secagem, respeitando sempre que possível as posições dos seus órgãos.
Depois de apertada a caixa, esta deve ser colocada num local quente, seco e arejado. As condições óptimas de secagem exigem uma temperatura de 30 a 40 ºC. Pode ser feito a partir do calor natural ou recorrendo a fontes artificias, como estufas ou aquecedores eléctricos.
Para obtenção de um bom exemplar de herbário, deve-se mudar os papeis humedecidos todos os dias até as plantas estarem completamente secas. No caso das plantas suculentas e aquáticas, é aconselhável que os papeis sejam substituídos duas vezes por dia, especialmente nos primeiros dias de secagem. É nestes primeiros dias, que se devem corrigir defeitos das posições de alguns órgãos, enquanto as plantas ainda estão maleáveis.
Organização
Estudo Taxonómico
O estudo taxonómico é baseado nos caracteres apresentados pelos exemplares e tem por fim determinar a família, género e espécie da cada planta. É feito com o auxílio de floras e de estudos monográficos, devendo efectuar-se de preferência no material fresco. Contudo muitas vezes não é possível, e o estudo é feito a partir de exemplares já secos. Em qualquer dos casos, procede-se à etiquetagem definitiva. Esta é feita em impressos apropriados e de preferência no computador. Nelas devem constar dados retirados do livro de campo como sejam:
· Herbário onde fica a pertencer;
· Número do exemplar;
· Data de colheita;
· Nome científico;
· Nome vulgar (Nome vernáculo);
· Nome de quem identificou a planta (DET.);
· Nome do colector (de quem colheu);
· Local de colheita;
· Hábito e Ecologia da planta;
· Altitude do local de colheita.
Montagem
Realizada em folhas de cartolina branca, com tamanho padrão de 28 x 44 cm.
Os espécimes devem ser colocados de modo a deixar um espaço livre no canto inferior esquerdo para a etiqueta definitiva.
O modo de fixar os espécimes sobre as folhas é variável, contudo o processo mais indicado é o uso de fitas autocolantes estreitas, brancas ou transparentes, em vários pontos, de modo a prender o exemplar à folha de montagem.
Pequenas porções destacadas ou sementes devem ser guardadas em pequenos sacos de papel que se colam junto ao exemplar, geralmente no canto superior esquerdo.
Arrumação e Conservação
Após a montagem do material, as folhas de herbário são guardadas em pastas de papel, dobradas a meio. Estas são depois arrumadas em móveis apropriados, isto é, compartimentos que impeçam a entrada de luz, de poeiras, da humidade e protegidos dos predadores.
Arrumação das pastas é feita por ordem sistemática, a mesma que figura nas floras.
O material de herbário deve ser submetido periodicamente a uma desinfecção que consiste no emprego de substâncias químicas que exterminem ou afugentem os predadores (especialmente insectos). Contudo, os exemplares devem igualmente estar sempre polvilhados de naftalina ou outro qualquer repelente.
Fonte de Pesquisa: http://www.biorede.pt/index2.htm
MARLIO LIMA Disse:
on Junho 12, 2009 at 1:39 pm
ESTOU COMCLUINDO MINHA GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA,GOSTO DE TRABALHAR COM BOTÂNICA,ESTAMOS FASENDO UM MINI HERBARIO ,E ESSAS INFORMAÇOES FORAM DE MUITAS OMPORTÂCIA PARA O NOSSO TRABALHO.AQUI NA FACULDADE. PARABÉNS.GOSTARIA DE SBER COMO SE MONTA UMA CHAVE PARA IDENTIFICAÇÃO….O QUE CARACTERIZA, O VEGETAL..TIPOS DE FOHAS.FLORES ,NUMERO DE ESTAMES. PETALAS. SEPALAS.NO ÂNBITO DE FAMÍLA POR EXEMPLO..